
A entrevista publicada no caderno de esportes do EXTRA uma semana após ter sido gravada no quarto do Hotel Transamérica ganhou o noticiário nacional. Pronto: Eliza Samudio saíra do anonimato e, agora, era uma “celebridade” por conta do filho que carregava no ventre. Gostou do material publicado (texto, foto e vídeo) na terça-feira, 25 de agosto, e no início da tarde daquele mesmo dia já ligava para a redação do jornal narrando a reação do goleiro Bruno, a quem creditava a paternidade.
— Ele ligou me xingando de tudo quanto é palavrão. Disse que agora mesmo é que eu estou f..... e que vou ter que provar que o filho é dele — contou, parecendo ao mesmo tempo arrependida e provocada. — Ele que se cuide. Deus está vendo. Viu só como ele está falhando? — perguntou Eliza, referindo-se à participação do goleiro do Flamengo nas derrotas para o Cruzeiro (1 a 2) e para o Avaí (3 a 0) pelo Campeonato Brasileiro.
A revelação pública da gravidez indesejada pelo famoso goleiro fez Eliza ser procurada por emissoras de TV, outros jornais, rádios, sites, amigas, jogadores e outros mais, que nem ela sabia explicar de onde surgiram. Mas, com o passar dos dias e sem ter visto entrar um mísero tostão na conta, vieram medo e incertezas. As ameaças do goleiro se tornaram mais frequentes, e as primeiras retaliações já ocorriam.
— Ele disse que, se eu continuar dando entrevistas, vai acabar com a minha raça. Eu disse que foi a única maneira de fazer com que ele me atendesse. Só quero que reconheça a paternidade e me ajude a cuidar do filho. Não soube fazer? Agora, tem de ajudar a cuidar. Não tenho condições de fazer isso sozinha. Ele disse que, se eu não falar mais nada, ele vai vir aqui falar comigo. Vamos ver — contou, esperançosa.
Pelo tom amargurado das palavras, a esperança de Eliza parecia vir mais da necessidade do que propriamente da expectativa de que as coisas chegassem a bom termo. Embora não assumisse, sua fala transmitia a desesperança comum aos que veem o presente miserável e o futuro desgraçado. Só quando provocada é que Eliza dava o tom de gravidade.
— Vocês não conhecem ele! — disse, em resposta à tentativa do repórter em desmistificar a possibilidade de o jogador vir a fazer qualquer coisa que colocasse em risco a sua integridade física:
— Ele é capaz de qualquer coisa! Estou sem um tostão para comer, sem ter como comprar remédios para a gravidez e não tenho nem como voltar para casa. Não tenho nem como trabalhar. Estou vendo se uma amiga me ajuda, estou f...
Pela primeira vez, sentimos que o próximo contato de Eliza Samudio com o jornal seria tratado por um repórter da editoria de Polícia.
Não estávamos errados...
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